Resumo
Muitas organizações não governamentais, cientistas, docentes, dentistas, médicos, ativistas e advogados têm
trabalhado incansavelmente para legislar sobre o fim do amálgama como material restaurador odontológico, cujos
artigos e opiniões contribuem para incentivar a “terceira guerra” contra o amálgama. O UNEP concluiu as discussões sobre um acordo internacional, a Convenção de Minamata sobre o Mercúrio, que tem como objetivo reduzir
os impactos ambientais significativos para a saúde devido à poluição atmosférica por mercúrio e inclui disposições
que tratam de diversos produtos que contêm esse elemento químico. Alguns desses produtos deverão ser banidos
a partir de 2020. As restauracões de amálgama não foram atingidas pela proibição, no entanto, o tratado sugere
algumas disposições relativas à diminuição gradual de uso desse material, sem exigir medidas proibitivas ou prazo
de banimento. Segundo o recente relatório do UNEP de 2013, as maiores fontes antropogênicas (atividades humanas) de contaminação ambiental pelo mercúrio estão associadas à mineração artesanal de ouro, à queima de
carvão, produção de cimentos, metais ferrosos e não ferrosos. A quantidade de vapor liberado das restaurações de
amálgama pela cremação para a atmosfera por ano em escala mundial não chega a atingir 1% do total emitido pelos
demais setores de poluição. Com relação a possíveis vapores provocados por resíduos de amálgama, não existe
nenhum dado registrado até 2013 pelo UNEP. Nos sistemas aquáticos pode-se encontrar a forma mais tóxica de
mercúrio, o metilmercúrio ou orgânico, que pode se acumular nos peixes e mamíferos marinhos consumidos pelos
seres humanos; além disso, neste ambiente o mercúrio inorgânico, não tóxico, e o elementar, menos tóxico, podem
ser transformados no metilmercúrio. A maior parte da exposição humana aos riscos à saúde devido ao mercúrio
ocorre a partir do consumo de alimentos como peixes marinhos e/ou de água doce. Nenhuma pesquisa de boa fé
autêntica e científica foi publicada e que demonstre qualquer relação válida entre amálgama na cavidade oral e
qualquer doença sistêmica. Dessa forma, com a necessária prudência, bom senso e dentro dos conhecimentos e
estudos pertinentes, pode-se prosseguir no ensino e utilização do amálgama dentário nos casos em que a estética
não seja o fator preponderante, sem o receio de um possível efeito colateral.
Descritores: Amálgama dentário, restauração dentária permanente, mercúrio.
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