Resumo
O objetivo deste estudo foi identificar os fatores associados à experiência de cárie e doença periodontal em crianças e adolescentes com paralisia cerebral (PC). Foram incluídos neste
estudo 70 crianças e adolescentes com PC, de ambos os sexos, na faixa etária de 6 a 19
anos de idade. As variáveis estudadas foram idade, sexo, escolaridade, classificações da PC,
GMFCS, uso de medicamentos, motricidade oral e consistência da dieta. A experiência de
cárie foi avaliada pelo índice CPO-D, as condições periodontais pelo índice de higiene oral
simplificado (IHO-S) e sangramento gengival à sondagem. Os exames epidemiológicos foram
realizados por uma única examinadora calibrada (Kappa = 0,97). Foram realizadas análises
univariada e multivariada, com nível de significância de 5%. A maioria dos participantes deste
estudo era do sexo masculino (n=40, 57,1%), com PC do tipo espástica (n=56, 80%), tetraplégicos (n=50, 71,4%), GMFCS nível V (n=41, 58,5%), com motricidade oral funcional
(n=28, 40%). Faziam uso de anticonvulsivantes (n=31, 44,2%) e consumiam dieta sólida
(n=38, 54,2%). O índice médio de CPO-D = 3,8, sendo que a maioria dos participantes apresentava CPO-D=0 (n=45, 64,3%) e a presença de sangramento gengival observada em 48 dos
avaliados foi de 68,6%. O aumento da idade e a ingestão de dieta semi-sólida aumentam as
chances desses indivíduos apresentarem maiores valores de experiência de cárie. A presença
de maior comprometimento motor expresso pelo GMFCS foi nível V, motricidade oral semifuncional e uso de anticonvulsivantes aumentam a frequência de sangramento gengival em
crianças e adolescentes com PC.
Descritores: Paralisia cerebral, cárie dentária, gengivite.
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